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Faro de Vigo

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María do Carmo Henríquez

Carvalho Calero, teoria e prática

Poucos dias depois do falecimento do Professor Carvalho Calero, em março de 1990, aparecêrom numerosos contributos nos meios de comunicaçom e um número especial da revista Agália (nº 21, pp. 107-118). Nunca esqueceremos a conversa que tivemos com um Professor Catedrático da antiga Faculdade de Filosofia e Letras, assombrado pola publicidade que estava a ter o seu colega nos ambientes culturais e jornalísticos, na qual nos dixo: dentro de cinco anos, ninguém se lembrará de Carvalho Calero. Um novo livro apresentado no paraninfo da Universidade de Santiago é umha prova patente e notória de que Dom Ricardo está vivo e de que os seus postulados permanecem na memória e na vida cultural da Galiza do século XXI.

Dizem os dous autores da obra que respeitam escrupulosamente os seus textos, princípio que os fai dignos de louvor. Se havia algo do que o nosso Professor nos gostava em absoluto era de que nos seus textos houvesse “desvios do original”, por isso solicitava que lhe fosse enviado um exemplar para “restaurar as letras originárias, a fim de que as actas recolham esse documento com toda correcçom” (carta de 26 de setembro de 1984), tema sobre o que volta a insistir em cartas de 2 de novembro de 1984, de 2 de julho de 1985 e de 30 de julho de 1985, publicadas na revista Agália (nº 29, páginas 48, 50, 53 e 54).

“A condiçom de discípulo nom vem pola herdança biológica e nem tam sequer é indispensável ter sido aluno”

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Neste contexto, é necessário distinguir entre alunos e discípulos, antigos alunos somos muitas pessoas, porém discípulos seriam menos. A condiçom de discípulo nom vem pola herdança biológica e nem tam sequer é indispensável ter sido aluno (conhecemos muitos casos relevantes). Discípulos som (ou somos) os que praticamos a escrita defendida por el, assim como as regras gramaticais, lexicais e normas ortográficas sempre entendidas como “procedimento para aproximar-nos à lusofonia e à lusografia” e nunca como umha renúncia à singularidade do galego-português ou “romanço hispánico ocidental” dentro da língua universal. Lembre-se apenas o desenho de Castelao sobre um velhote e um rapaz, na beira do rio Minho, e os da banda de alá, os portugueses. Para ser discípulo nom é suficiente com a teoria, há que passar à prática (a língua foi a sua ponta de lança, nomeadamente nos seus ensaios) e transmitir os seus ensinamentos para que se propalem. Mal existem “Fundaçons” que podam ser consideradas discípulas. Revela-se necessário salientar a sua permanente prudência para incorporar as mudanças imprescindíveis.

Dom Ricardo viveu rodeado de muita inveja e mesquinhez por parte de quem parasitava, usava e abusava do Poder ou do “holding” (universitário, académico, cultural...). Depois de mais de trinta anos do seu falecimento, ainda permanecem em situaçom de alerta, para nom perderem os seus lucros sociais e protagonismo na Galiza do século XXI.

*Professora Catedrática de Universidade

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