Suscríbete

Contenido exclusivo para suscriptores digitales

María do Carmo Henríquez Salido

Cantando Carvalho Calero

A Real Academia Galega (RAG) nom escuitou requerimentos de associaçons e um número considerável de pessoas que reclamavam que o ‘Ano Carvalho Calero’, devido à pandemia que nos devasta, tivesse umha continuidade no ano 2021. A RAG maliciosamente nom acolheu este clamor.

Porém, a deusa fortuna dispujo que as nossas proclamas fossem escuitadas e que as lembranças do Professor Carvalho Calero continuassem no presente ano. Com o apoio da Conselharia de Cultura, acaba de ser apresentado no Liceu ourensano, um livro musicado que contém dezasseis cantigas, cinco do poemário ‘Cantigas de amigo e outros poemas’ e umha de ‘Reticências’. O acto estivo presidido polo Secretário Geral de Política Lingüística. Entre o público estavam a filha do homenageado, o senador Jesús Vázquez e muitos professores. Esta obra acaba de ser apresentada em Ferrol, há uns dias.

O livro abre-se com um ‘Limiar’ de José Luís Fenández Carnicero, compositor e intérprete ao piano, que integrou ritmo e estrutura das estrofes, com música muito popular, acompanhado da voz de Xico Paradelo (alunos nossos na Escola Universitária de Magistério). A seguir, Isaac Alonso Estraviz recolhe as suas vivências com Dom Ricardo desde o ano 1965, o seu encontro mais pessoal na primavera de 1972, quando tiverom lugar as provas em Madrid para que fosse o primeiro Professor Catedrático de Língua e Literatura Galega da Universidade de Santiago. O terceiro texto de Martinho Santalha fala de ‘Carvalho Calero e a música’, salienta que já desde os anos da sua infância sentia atraçom pola música teatral (zarzuela e ópera). Do seu amor à música temos constância num testemunho da Professora Aurora Marco: “A segunda viagem, que lembro muito bem, foi a Caminha (Portugal), a um congresso luso-galaico, em outubro de 1984 […] A volta a Santiago, no carro de José Luís Rodríguez, permanece nítida na minha lembrança: cantou zarzuelas até chegar a Vigo”.

Os destinatários preferentes, que nom exclusivos, som os estudantes de primária e secundária. Os adultos emocionamo-nos e cantamos mentalmente: “Água e carbono é o teu corpo, sal”, “Romeu” (cantiga válida desde infantil a secundária), “No espelho da água”, “Irei-me sem sabê-lo / Mais de setenta anos preguntando, preguntando-o / Na resposta silêncio”, “Quem me quijo?”, “Cando o comprendas”, “As cousas no som singelas”… Rememoramos outras : “Já que viver feliz foi impossível, / sequer morrer feliz se cadra é sonho? […] Se vida alegre, morte triste pede, / pedirá vida triste alegre morte?”; “Somos velhos, / que os novos estám saos. / Somos pobres./ Que os ricos, vam alhur./ Falamos galego, / que é língua antiga e humilde”. Ecos reveladores do ostracismo promovido polo poder coercitivo (universitário, académico, cultural) contra o nosso Mestre.

Oxalá nestes meses se publique a biografía e bibliografía íntegra, obra preparada por um dos melhores biógrafos, elaborada durante várias décadas. Só as pessoas que trabalham com rigor científico (nom as oportunistas que elaboram apressadamente qualquer contributo) merecem ser consideradas biógrafas de Carvalho Calero.

*Professora Catedrática de Universidade

Compartir el artículo

stats