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Faro de Vigo

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O narrador do Génesis, um dos cinco livros do Pentateuco (Antigo Testamento), quando relata as primeiras origens do mundo, a criaçom do céu e da terra (1,1-2,3), utiliza com ênfase o verbo “chamar”, quer dizer, determinar o nome, atribuir um nome polo qual será conhecido: “E chamou à luz dia, e às trevas noite [...] E Deus chamou ao firmamento céu [...] E Deus chamou ao elemento (árido) terra, e ao conjunto das águas chamou mares”. Os nomes tinham importância, porque indicavam a natureza dos seres e das pessoas. Dar o nome era reconhecer a natureza do ser.

Os nomes som essenciais na terminologia científica, em todas as Ciências e em cada âmbito específico. Apenas incorporamos um exemplo ilustrativo: no Direito: o “nomen iuris” [nome no Direito]. É fundamental para saber se estamos perante umha “rebeliom” ou “sediçom”, e além do mais interessa conhecer se existe umha correspondência com os termos jurídicos de outros países da Europa Comunitária.

As fronteiras lingüísticas nom coincidem com as fronteiras políticas

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O nome é relevante quando se designam os territórios que integram umha nacionalidade histórica, mas devemos partir de um axioma: as fronteiras lingüísticas nom coincidem com as fronteiras políticas. Duas “nacionalidades históricas” na CE de 1978, na atualidade, tenhem o nome em <<euskara>> ou <llengua català>>: (a) “Euskadi” (“Bizkaia”, “Gipuzkoa”, “Araba”) ou “Euskal Herria”, o conjunto formado polos territórios históricos de “Euskadi” e “Nafarroa”, aquém dos Pirenéus, e “Ipar Euskal Herria” além dos Pirenéus; (b) “Catalunya”, porém “Països Cataláns” integra também o “País Valencià”, “Illes”, “Franja d’Aragó”, aquém dos Pirenéus, e “Andorra”, “el Roselló”, “l’Alguer”, além dos Pirenéus.

Os territórios destas duas nacionalidades históricas usam a “língua própria”. A única nacionalidade histórica que mostra o nome em castelhano é “Galicia”. Nom se explicam os motivos filológicos polos quais nom se oficializa o nome “Galiza”, forma usada na história do galego-português em textos dos séculos XIII e XIV. Assim, Afonso o Sábio em castelhano escreve sempre “Galizia”, mas em galego-português escreve “Galiza” (Cantigas de Santa Maria). Esta forma foi substituída posteriormente pola castelhana pola administraçom e polos escrivaos castelhanos. Conserva-se no Brasil e em Portugal e em obras de umha importante nómina dos regionalistas e nacionalistas galegos dos séculos XX e XXI.

Parece-nos incongruente que, depois de termos recuperado por via culta tantas formas mortas ou quase mortas no galego atual (“Deus”, “galego”), se ponham reparos inúteis para restaurarmos urgentemente umha forma galega legítima, incontestavelmente genuína, que nos dá nome como país. Mais dados e fundamentos históricos e filológicos podem ver-se em Montero Santalha, “O nome de Galiza” (“Boletim da Academia Galega da Língua Portuguesa”, 2008, pág. 11-34). Trocar o nome da nossa “nacionalidade histórica” é trocar o destino.

*Professora Catedrática de Universidade

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