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Opinión

Dom Carnaval e Dona Quaresma

A palavra Carnaval (do italiano e este do latim «carne levare» «abstençom de carne»), passou às demais línguas europeias no século XIII. Era e ainda é um período de festas profanas, que no mundo cristao medieval se iniciava, geralmente, no dia de Reis, a Epifania, e se estendia até Quarta-Feira de Cinzas, dia em que começava o tempo quaresmal, caraterizado pola abstinência de carne. Existiam todo tipo de diversons e folias, com disfarces e máscaras, brincadeiras e festejos populares de divertimento, nos quais os participantes vestem fantasias e usam máscaras. A palavra Quaresma na liturgia católica é o período de quarenta dias, da Quinta-Feira de Cinzas até Domingo de Páscoa, em que os católicos devem cumprir certos preceitos como abster-se de comer carne.

O Carnaval pode paralisar a vida em cidades como o Rio de Janeiro, onde num sambódromo dançam e dançam, depois de estar meses trabalhando para que todo o espectáculo decorra brilhantemente, desde a indumentária, a música, as carroças, preparadas polos vizinhos de cada bairro ou lugar, pois existe certa competência para serem os melhores. Surpreendeu-nos na década de 1980, que Professores Catedráticos de Universidades, caraterizados pola sua solenidade em atividades académicas nom tivessem reparos para dançar o samba, pois o Carnaval era quase um rito sagrado que havia que celebrar.

Das atividades na Galiza, permitam-nos a licença de lembrar as nossas saudades da infância e mocidade no Concelho de Ogrove. Nas décadas de 1950 e 1960 eram famosas as «comparsas», espécie de tunas integradas só por homes, só por mulheres ou por ambos os sexos que percorriam as ruas os dias de Carnaval, cantavam cançons de caráter satírico, nas quais se difundiam os feitos mais notáveis do ano. As nenas levávamos disfarces elaborados polas costureiras (e íamos ao casino), os maiores concorriam pola tarde-noite ao que era um cinema importante, sediado na rua principal.

Na literatura medieval existem abundantes episódios conhecidos como a batalha de Dom Carnal e Dona Quaresma, integrada por um desfile exaustivo de aves, carnes, peixes, mariscos, muito excelentes, típicos da gastronomia medieval: aves (capóns, faisáns, galinhas, perdizes...), peixes ( arenques, enguias olhomoles, salmóns, sardinhas...), mamíferos (cabritos, cervos, leitóns, pernas de porco fresco...), quer dizer muita vianda e muito vinho.

Na atualidade o carnaval triunfa em muitas localidades da Galiza, embora esteja agonizando noutros temas culturais e lingüísticos muito relevantes da nossa Cultura, como é o caso da nossa língua genuína.

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