Opinión
O enigmático verbo «demitir»
O significado básico deste verbo é «pôr de lado», «deixar», «renunciar voluntariamente», e como outros milhares de palavras procede do latim «demitto», está documentado em documentos do galego-português no século XIV, um parasinónimo seria o verbo «renunciar».
Utilizamos o adjetivo «enigmático» porque parece ser indecifrável por determinados representantes da classe política, pois que quase todos os dias conhecemos vozes que solicitam a demissom de um determinado cargo ou autoridade, porém nom há umha resposta adequada, mesmo podem existir respostas cínicas deste teor: «ladram logo cavalgamos», frase que poderia ser interpretada com o sentido de que o estám fazendo excelentemente, embora as estradas estejam em péssimo estado de conservaçom, as vias ferroviárias nom tenham sido renovadas e melhoradas, e nom se veja qualquer expressom de dor ou pena polos falecidos e doentes.
Nos anos 1966-1968 tivemos a oportunidade de compartilhar experiências sociológicas e científicas muito gratificantes com o cátedrático de História da Universidade de Santiago Carlos Alonso del Real, quem sempre exclamava: «Aqui nom demite ninguém...». Temos comentado em muitos textos a degradaçom no uso do idioma galego (vulgarismos, dialetalismos, umhas Normas ortográficas que contribuem intensamente a que o galego se afaste do português, facto letal para a sobrevivência desta língua «extensa e útil que com pequenas variantes se fala nos cinco continentes», como proclamavam grandes representantes do regionalismo e do nacionalismo galego (Murguia, Biqueira, Castelao, Carvalho Calero, Jenaro Mrinhas...) e ilustres figuras de Portugal como Manuel Rodrigues Lapa.
Todos os dias sabemos das greves existentes na sanidade pública, nos transportes ferroviários, está-se acrescentando a perda de valores éticos e cívicos; a corrupçom predomina em certos organismos públicos; desde o poder respondem com argumentos obscuros; os partidos políticos confundem o interesse geral com o particular; vulnera-se a separaçom de poderes; vemos representantes da classe política com provas evidentes de sua hipocrisia e das suas mentiras que ignoram possíveis irregularidades e injustiças...
Embora este panorama pareça desolador, como lembrava Carlos Alonso del Real: «Aqui nom demite ninguém», ninguém assume responsabilidades, pois a classe política gosta da poltrona, e a maioria dos seus deputados nom apresenta nengumha iniciativa, está basicamente para votar o decidido polo correspondente partido político.
Em Portugal acaba de demitir umha ministra, mas aqui nom demite ninguém e ninguém assume responsabilidades: umha diferença muito significativa!
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