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Opinión

In Memoriam de Evanildo Bechara, brasileiro de origem, amigo da Galiza

Apresentar umhas notas sobre a vida e a obra de um dos filólogos e lingüistas mais ilustres da língua e cultura portuguesa constitui umha tarefa titánica, pois as pessoas que o conhecemos e tivemos a honra de compartilhar a sua gentileza e a sua inestimável amizade sentimo-nos orfas.

Evanildo Bechara (Recife, 26 de fevereiro de 1928 – Rio de Janeiro, 22 de maio de 2025) foi um eminente professor, gramático e filólogo, membro da Academia Galega da Língua Portuguesa, membro correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, doutor honoris causa pola Universidade de Coimbra. Professor titular e emérito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e da Universidade Federal Fluminense, titular da cadeira nº 16 da Academia Brasileira de Filologia e da cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras. Autor de duas dezenas de livros: Moderna Gramática Portuguesa, Gramática Escolar da Língua Portuguesa, Lições de Português, editor da revista Confluência, editada polo Liceu Literário Português (1971 e 1976)...

Participou ativamente no IV Congresso internacional da língua galego-portuguesa na Galiza, realizado na cidade Vigo no ano 1993, em que apresentou o seu estudo Primeiros ecos de F. de Saussure na gramaticografia da língua portuguesa; no VII Congresso Internacional da Sociedade Espanhola de Historiografia Lingüística, que decorreu na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, no ano 2014.

Publicou na revista «Agália», 31 In Memoriam de Joseph M. Piel e na «Agália», 34 In Memoriam de Paiva Boleo. Nunca esqueceremos a conversa que mantivérom no Rio de Janeiro os professores Coseriu e Bechara: o Professor Bechara queria saber as datas em que poderia vir ao Rio de Janeiro , mas perante a dificuldade para que Coseriu compreendesse a urgência e a impossibilidade de marcar as datas, como argumento básico exclamou: «Professor, estamos no carnaval!».

Entre os seus postulados assinalamos apenas: (a) do ponto de vista lingüístico, o galego é umha vertente desta realidade de língua histórica que se chama língua comum e além do mais o galego nunca se separou do português; (b) os sete critérios que definem umha língua histórica som: o critério de autoridade, o critério geográfico, o critério literário, o critério aristocrático, o critério democrático, o critério lógico e o critério estético.

O Professor Bechara foi e será um laço profundo de amizade que unirá povos da Península Ibérica e do Atlântico. Temos a certeza de que estará no Além acompanhado entre outros dos seus bons amigos Eugenio Coseriu, Joseph M. Piel e Paiva Boleo. Requiescat in Pace.

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