Opinión | tribuna

A “auctoritas” face à “potestas”

As palavras do latim “auctoritas” e “potestas”, como a maioria das unidades lexicais, eram polissémicas, podiam apresentar os sentidos de “autoridade em toda classe de cousas” e “poder, potestade, poderio”, informaçom recolhida nos dicionários nas diversas aceçons numeradas em virtude dos critérios estabelecidos em cada obra lexicográfica, no que diz respeito ao seu uso na língua geral ou mesmo nas línguas especializadas.

Porém para que podamos falar de “auctoritas” é ‘conditio sine qua non’ que essa pessoa tenha essa autoridade como resultado de uns méritos objetivos e verificados, enquanto a “potestas” pode tê-la um autócrata, um déspota, um ditador, um tirano... exemplos abundan na História. O facto de que um representante da classe política chegue ao poder ou seja umha pessoa relevante na administraçom, nalgum organismo do Estado ou instituiçom, nom significa necessariamente que tenha a “auctoritas”, esta há que merecê-la polas suas obras, comportamento, exemplariedade, dignidade (assim, princípios de igualdade, capacidade e mérito).

“O conceito de excelência acabará degradando-se até confundir-se com o de normalidade”

Até há trinta ou quarenta anos existiam no Ministério (a Aneca) ou nas comunidades autónomas organismos para avaliar especificamente os méritos correspondentes à investigaçom e docência, integrados por pessoas com umha trajetória meritória acreditada no campo científico nas diversas áreas de conhecimento. Com o decorrer dos anos os requisitos necessários para que fosse reconhecido um sexénio fôrom diluindo-se, diversificando-se e prescindindo quase por completo de dados e provas objetivas. Circunstâncias parecidas podemos vê-las nas exigências para obter o título de Doutor ou ser Professor Titular ou Catedrático de Universidade, dependem afinal de órgaos onde podem predominar o nepotismo ou a endogamia. Esta decadência ou degeneraçom da excelência docente ou investigadora no âmbito universitário parece que se projeta estender mesmo até o Poder judiciário ou qualquer entidade de caráter oficial ou privado.

Esta perda de qualidade nomeadamente no sistema educativo pode ver-se refletida em factos examinados neste mesmo jornal (FARO DE VIGO, domingo, 10 de junho de 2024, pág 23) quando se demonstra que “as qualificaçons dos estudantes exprimentarom umha notável melhoria”, até o ponto de que “estejamos vivendo agora essa festa do sobresaliente”, renascendo o risco de que “o conceito de excelência acabará degradando-se até confundir-se com o de normalidade”. Desde a autoridade que se nos poderia conceder após mais de cinqüenta anos de docência e investigaçom que mantemos vivas na atualidade, consideramos ético alçar a nossa voz, embora como outras muitas vozes nom sejam tomadas em consideraçom polos que exibem com ostentaçom a sua “potestas”, mas carecem da “autoritas”.

*Professora Catedrática de Universidade

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