Opinión
O galego oficialista nom é umha língua global
O lugar que ocupam as línguas na globalizaçom é um tema de certa atualidade. A publicaçom do “Baromètre des langues dans le monde 2022” polo Ministério da Cultura francês tenta medir quais seriam as línguas com mais influência no mundo. Os resultados nom som satifatórios para as línguas históricas menorizadas da Pensínsula Ibérica e mesmo para o português. O português ocupa o lugar número nove, o catalám o número 12, o galego o 37 e o êuscaro o 38. Porém existem erros fundamentais nos parámetros: esquecem que os Estados sempre dam um valor excecional às línguas, na seleçom das línguas respeitam as fronteiras políticas ou administrativas, e prescindem da sua história externa e interna, constituinte fundamental nas denominadas “línguas históricas”.
Na nossa opiniom, é um estudo interesseiro, eurocêntrico, existem dados surpresivos que só podem ser tomados a sério polos ignorantes ou polos ingénuos. É evidente que nom toma em consideraçom o português em todo o mundo (Portugal, o Brasil e países africanos de língua oficial portuguesa) e no que diz respeito ao galego, quer dizer, o galego oficialista, o galego esfarelado, nom genuíno, umha variedade dialetal e vulgar do castelhano... outro lugar ocuparia se se tivesse em conta o galego-português como integrante da comunidade lingüística galego-luso-africano-brasileira. Encarar o significado da globalizaçom exige rigor científico e pluridisciplinar, porque as línguas por definiçom som poliédricas. Colocar o galego, consangüíneo do luso-brasileiro, no patamar de êuskaro é disparate.
"Ler livros ou jornais em papel, escrever com um lápis ou umha caneta em pouco tempo será umha excentricidade"
Algum gramático no século XV dixo que “a língua era companheira do império” e que o poder de um império ou mesmo a sua decadência (por exemplo, em Roma) estava relacionado com a língua. Dizia a excelsa Rosalia Castro “Galiza sem homes quedas”, a esta verdade haveria que acrescentar “Galiza sem língua quedas”. Umha prova irrefutável é que esse modelo nom é válido para a “Inteligência artificial”, por isso começarám as solicitudes de subsídios, bolsas, projetos de investigaçom, pois se em algo há pessoas (há quem prefere dizer “a gente”) especializadas é em comportar-se como velhacos, trapaceiros, pois ignoram que já existe esta possibilidade no português.
Nas universidades existem casos em que os estudantes nom estudam, nom se esforçam, porém aprovam, desconhecem temas básicos da História, da Filosofia, das Humanidades e das Filologias porque estas disciplinas fôrom laminadas. Ler livros ou jornais em papel, escrever com um lápis ou umha caneta dentro de pouco tempo será umha excentricidade. No sistema educativo o computador, o telemóvel e outros materiais informáticos ajudam a debilitar o razoamento, o pensamento crítico, a curiosidade por saber os temas com rigor científico, por conhecer as matérias em profundidade, ou combater o pensamento único. “Cousas veremos que farám falar as pedras”.
*Professora Catedrática de Universidade
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