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Faro de Vigo

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María do Carmo Henríquez

Judite num país das maravilhas educacionais

Quando as pessoas septuagenárias lembram o sistema educativo de outras épocas nesse lugar imaginário, tiram por conclusom: nunca os planos de estudo pudérom ter chegado tam baixo e as pessoas néscias tam alto. As notícias difundidas suscitam grande assombro polos inventos e mistificaçons (quer dizer, farsas, embustes ou brincadeiras). Os estudantes desse país vam dedicar mais tempo ao ócio, ao tempo livre do que ao estudo, conhecimento, saber e domínio das matérias básicas formativas, conhecidas tradicionalmente como “Humanidades”, sendo que o esforço, trabalho e pensamento crítico nem se contemplam como necessidade ou mérito.

Naqueles tempos, as crianças de 8 a 10 anos nas escolas unitárias sabiam História como o tema de Viriato, o pastor lusitano, e aquela frase de “Roma nom paga a traidores”; cantavam e sabiam a Geografia dos países da Europa; como material escolar tinham um livrinho (os que podiam), um quadro de lousa (para “somar”, “subtrair”...) e um caderno para escrever, deviam ter letra clara e nengumha falta de ortografia. Os “Reis Magos” deixavam livros. Depois de aprovarem o “Ingresso” num Instituto, quatro anos mais tarde tinham que aprovar a reválida de 4º, dous anos depois a de 6º (“Letras” ou “Ciências”), o Preuniversitário de “Ciências” ou “Letras” com o estudo da obra de Tito Lívio “Ab urbe condita”, a “Anábasis” de Jenofonte, e as matérias “comuns”.

Os alunos de COU por volta de 1976 sabiam a suficiente Morfologia, Sintaxe e Semântica, para segmentarem e identificarem a dimensom morfológica e semântica de verbos como “desjudicializar” (judex, judicis > -al sufixo relacional “relativo aos juízes” > -izar sufixo que expressa açom causativa ‘assumir a via judicial’ > des-judicializar o prefixo des- expressa a carência do denotado pola base, ‘privaçom’, isto é, recorrer a meios alternativos extrajudiciais, para a resoluçom de conflitos). O “sentido próprio” desta palavra poderia vulnerar a Carta Magna desse país imaginário, pois privaria os juizes das funçons de “julgar e fazer executar o julgado”. Também eram competentes para interpretarem os numerosos neologismos ou eufemismos. Havia por volta de 40 estudantes nas aulas, educados polas famílias, que colaboravam com os professores para que recebessem conhecimentos científicos sólidos.

Agora descobrem a inmadureza dos estudantes que vam aceder à Universidade. Postula Esmeralda Matute (“Tendencias actuales de las Neurociencias cognitivas”): a madureza é umha construçom cultural preformada biologicamente, porém se nom houver cultura só haverá inmadureza, e além do mais, se nom houver cultura nom haverá competência social nem pessoal. Hoje as classificaçons som maravilhosas, tanto as dos discentes como as dos programas, enchem a cabeça dos estudantes com nimiedades, os docentes estám convertidos em burocratas e os Poderes Públicos com inventos e mistificaçons.

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