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Faro de Vigo

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María do Carmo Henríquez

“Laudatio in honorem” Isaac Alonso Estraviz

O passado 18 de julho, tivo lugar o ato solene, rituário e protocolar da entrega da “Medalha de ouro da província de Ourense” ao professor doutor, filólogo e lexicógrafo Isaac Alonso Estraviz, nascido a 25 de janeiro de 1935 em Vila Seca, concelho de Trás-Miras. A nossa “laudatio” estruturou-se em quatro blocos: “Introductio” para situarmos este lexicógrado no campo da lexicografia hispánica, as circunstâncias que devem acompanhar sempre um ato destas caraterísticas, que em todo caso deve estar presidido polo “intellectum”, polo “studium” e pola “sapientia”, máxime nestes momentos em que abunda a gente medíocre, que busca postos de simples aparência científica; nom é o caso do nosso dicionarista.

No segundo bloco, “Pars prima”, lembrou que a defesa de umha substancial reintegraçom idiomática e cultural do galego na sua área lingüística é um posicionamento legal, aprovado polo “Ministerio del Interior” no ano 1981, e nos Estados Democráticos e de Direito som direitos fundamentais a liberdade de expressom, de opiniom e de pensamento, de modo que qualquer vulneraçom destes direitos nom deve ser consentida polos poderes públicos. Percorreu a História da Galiza, com mençom explícita aos regionalistas e nacionalistas galegos, “Irmandades de Amigos da Fala”, “Geraçom Nós”, e exilados galegos. Salientou a perseguiçom e discriminaçom dos reintegracionistas nas décadas de 1980, 1990, 2000 e mesmo na atualidade; as iras do “holding” contra o Professor Carvalho Calero, dizia o Professor Suevos (1991): “Carvalho era oficialmente um home maldito. Um proscrito na sua própria Terra. Era alvo de ataques, de quem nom perdoava que umha mente especulativa assi estivesse ao serviço da Galiza”.

No terceiro bloco, “Pars secunda” sintetizou dados da sua biografia, as incidências sobre o processo da sua tese de doutoramento, a sua estadia em Madrid, a sua docência na Universidade de Vigo e a sua participaçom como observador da Galiza nos trabalhos de elaboraçom do “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”. Pujo em destaque que o seu projeto sempre foi o “Dicionário Galego”. Asseverou que qualquer morada ou domicílio de um reintegracionista é umha “Casa da lusofonia”, e nom é preciso inventá-las para obter subsídios dos poderes públicos.

No quarto bloco, “Pars tertia” reafirmou que o galego fai parte da comunidade lingüística galego-luso-africano-brasileira, constituida por mais de 250 milhons de usuários, é a terceira língua mais falada da Europa, é desde a sua origem umha língua de cultura internacional, útil para todas as funçons inerentes a qualquer língua histórica. Como diziam os representantes da “Geraçom Nós” temos que superar o isolamento, deixar de sermos os “badocos” que denunciava nos seus trabalhos o inesquecível Eduardo Blanco-Amor. Como colofom: o Professor Estraviz constitui um elo na cadeia de reintegracionista ilustres, e que ao conceder-lhe a Deputaçom Provincial de Ourense esta “Medalha”, tanto se honra ele ao aceitá-la como esta instituiçom ao conceder-lha.

*Professora catedrática de Universidade

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