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Faro de Vigo

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María do Carmo Henríquez

Campo lexical: engano, mentira, pícaros

Um campo lexical é umha rede de unidades lexicais que tenhem entre si um certo tipo de relaçom semântica, umha base comum de significado, podendo ele surgir porque as suas formaçons podem criar-se por derivaçom ou composiçom. O “engano” podemos defini-lo como ‘falta de veracidade’; a “mentira” seria ‘qualquer cousa feita na intençom de enganar’ ou como ‘dito ou manifestaçom diferente ao que umha pessoa sabe, diz ou pensa’; o “pícaro” seria umha pessoa que é descarada, sem vergonha, que intenta enganar os demais ou viver às expensas de outros. No Antigo Testamento a mentira era proibida e punida, era pecaminosa e prejudicial. Na obra de Mans (1979),“Los principios generales del derecho”, o autor seleciona como termo jurídico a palavra verdade por oposiçom à falsidade, seria falso o que se fai com intençom de alterar a verdade. A palavra verdade tem umha relevância muito específica no mundo jurídico.

É muito interessante a etimologia da palavra pícaro. Machado (1977) no seu “Dicionário etimológico da língua portuguesa” diz que procede do castelhano (séc. XVII); Corominas, e Pascual (1980-1991) consideram que o verbo picar é um vocábulo geral a todos os romanços de Ocidente, de criaçom expressiva. Entre os derivados deste verbo menciona pícaro, de origem incerta, procedente das gírias, com matiz pejorativo e referia-se à situaçom de umha personage que atuava mais ou menos de forma contrária à lei (famosa é “a novela picaresca” da literatura espanhola dos séculos XVI e XVII).

Na atualidade os pícaros podemos vê-los nas televisons, caraterizando-se a sua linguagem verbal por debater sobre nimiedades para desvanecer a verdade, utilizam muitos eufemismos, anglicismos (‘innovation’, ‘generation’ para que a gente solicite projetos cujos resultados som etéreos, como o som muitas das empresas que concorrem, algumhas com sedes em paraísos fiscais). Som pessoas, em geral, que nom vam comprar a comércios, nom sabem o que custa a fatura da luz, nom usam transportes públicos, nom caminham polas ruas, nom falam com a gente, sempre se comunicam polos meios de comunicaçom, a poder ser afins aos seus objetivos, perturbam a linguage verbal, nom som transparentes. Na classe política é muito singular esbanjar o dinheiro público (até dizem que qualquer quantidade ‘é o chocolate do loro’), nom executam as medidas que denominam alegremente como ‘anticrise’. Praticam o princípio de que a caridade começa por um próprio e é notável a sua alta qualidade de vida, mentem mais do que falam, até modificam dados dos Atlas lingüísticos, insultam, “et cetera”.

Porém, a sua linguagem nom verbal (olhos, gestos, maos, indumentária, postureo...), deixa-os ao descoberto. Pensam que os cidadaos som ingénuos, ineptos, que nom estám informados. Os pícaros já fôrom reconhecidos nas obras literárias e podiam acabar bem (prosperidade) ou mal, pois nom acabava bem aquel que mudava de país, mas nom de costumes, e até podia ir-lhe pior.

*Professora catedrática de Universidade

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