Suscríbete

Faro de Vigo

Contenido exclusivo para suscriptores digitales

María do Carmo Henríquez

O Professor Higino Martins e o celtismo na cultura galega

galegos na diáspora e galegos exilados reconhecidos e honrados na Galiza, mas muitos som silenciados e ignorados, sendo casos clamorosos: Ernesto Guerra da Cal (Ferrol, 1911 – Lisboa, 1994) ou Higino Martins (Buenos Aires, 1940 – Buenos Aires 2021). Higino era filho de emigrantes galegos procedentes das freguesias de Santa Maria de Oia e Vila de Suso, no concelho de Oia, escuitou a língua das suas origens da boca de seus pais e familiares, Oia era o ‘PAÍS DE TURONIUM’. Nas suas obras florescem a toponímia e mitologia épica, o mapa da Galiza na época céltica parece um mapa de fantasia heróica (assim, “Escadeva Foi reconhecido internacionalmente polos seus estudos lingüísticos, nomeadamente sobre a toponímia da Galiza. Aprofundou nas raízes célticas da língua galego-portuguesa e defendou com rigor científico o sustrato céltico. Um digníssimo representante da Galiza exterior, com a presença do Baixo Minho na Galiza, Portugal e América do Sul. Formado em Psicologia, Filosofia, Letras e Direito, Professor Universitário titular na “Universidade del Salvador” de origem jesuítica, bancário no “Banco Español del Río de la Plata”. Docente extra-universitário da comunidade galega no Centro Galego de Buenos Aires desde 1977, depois que Eduardo Blanco Amor deixasse de exercer. Fijo umha ediçom crítica dos “Cantares galegos” de Rosalia Castro, publicada por Caixa Ourense em 1984, o artigo “Blanco-Amor professor de galego e outros labores seus em Buenos Aires” (Agália, nº 33, págs. 21-28), “As Tribos Calaicas” (2008), onde revela dados para a reconstruçom do período pré-romano galaico, “Gramática do céltico antigo” (2011) e o volume “Etimologias obscuras ou esconsas” (2015). O celtismo na cultura galega apresenta umha funçom nuclear.

O céltico é umha língua descendente do indo-europeu ocidental propagado por volta de 6000 e 4500 anos antes de Cristo; houvo três célticas na Península Ibérica: a Kaláikia, a Lusitânia e a Celtibérica. Conhecemos o valor simbólico dos figos e da figueira; sabemos que “Arouça” procede de *ARAUTSIA, em céltico ‘a que está perante a orelha’, umha metáfora céltica para umha proeminência na costa; Oia vem de ABODIA ‘abundante em águas’; ABÓBRIXS é o castro de Santa Tegra; o Monte Aloia é o antigo Monte Medúlio, símbolo da resistência céltica perante a invasom romana; NEMETOBRIGA ‘a Cidade Santa’ é a Póvoa de Trives; *ERIIA> Íria (Íria Flavia) é céltico.

Higino foi um nacionalista galego (que ama os próprios e convive fraternalmente com todos), um ativista da cultura galega, reintegracionista. Buscou as nossas raízes: um Povo desconhecedor das suas raízes é como umha árvore enferma que sempre pode ser derrubada polo vento, sermos conhecedores da nossa história, fai-nos sentir melhor e defender-nos contra o auto-ódio.

Compartir el artículo

stats