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Faro de Vigo

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María do Carmo Henríquez

A lingüística e a tecnologia lingüística

A lingüística é umha ciência que tem por objeto a linguagem humana nos seus aspetos fonético, morfológico, sintático, semântico, social e psicológico. Por linguagem interpretamos qualquer meio sistemático de comunicar ideias, sentimentos através de signos comunicacionais, sonoros, gráficos, gestuais, etc., próprio da espécie humana, mas também a maneira de exprimir-se própria de um povo, de umha comunidade lingüística. “A priori” parece evidente que estas duas palavras som demasiado complexas, extensas e com conceitos muito difíceis e específicos para que podam ser analisados pola tecnologia lingüística.

Porém nom pode ser ignorada a utilidade das tecnologias referidas ao reconhecimento de voz ou gramatical, mas seria muito duvidosa a sua utilidade na correçom gramatical. Qualquer pessoa sabe que a correçom de textos nunca pode basear-se unicamente no sistema estabelecido nos programas. Há que saber lexicologia, morfologia, sintaxe e semântica para que os resultados sejam rigorosos e científicos. Comentava-me há várias décadas o Professor Antonio Quilis, que por vários traços fonéticos podíam dispor de informaçom sobre a província da qual falava um seqüestrador, mas a chave estava num sufixo.

Além do mais, aplicar este sistema ao “universo jurídico” desvirtuaria gravemente factos como os que atingem ao processo de pôr umha resoluçom judicial. Como deve ser sabido, numha sentença podem ser vistas estas partes: “factos provados” que podem variar em funçom de cada caso concreto (idade, sexo, lugar, tempo, modo...), argumentos jurídicos (legislaçom e jurisprudência), “petitum” o solicitado expressamente. Este processo exige o razoamento de um magistrado até “a decisom final”, que nom podem realizar “ferramentas”.

"Estám a trabalhar com um modelo lingüístico que reside numha língua artificial, inventada na década de 1970"

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Aliás, estes investigadores desconhecem a situaçom histórica, atual e real da língua da Galiza, nom sendo para eles na prática mais que umha língua dialetal, com umha visom regional (está incluída no castelhano vulgar). Estám a trabalhar com um modelo lingüístico que reside numha língua artificial, inventada na década de 1970. A realidade é que os modelos tecnológicos já estám no português, só haveria que realizar mínimas adaptaçons à realidade histórica e atual da Galiza; com este sistema pouparíamos dinheiro e chegaríamos a mais produtos desde a robótica aos videojogos. É urgente e necessário dispor de um código lingüístico científico (a lingüística é umha ciência). A revoluçom tecnológica já existe no castelhano, está no castelhano da Argentina a respeito do castelhano europeu ou no inglês do Reino Unido a respeito do inglês americano.

Essas propostas parecem buscar subsídios, para obter lucros académicos, e devem ser bem examinadas, pois acarretariam um esbanjamento de dinheiro e o País nom está para esbanjar mais dinheiro em bagatelas. Abram-se as fronteiras, busque-se um mercado tecnológico, a partir do português.

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