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Faro de Vigo

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María do Carmo Henríquez

Carvalho Calero, vivo e sem adulterar

O adjetivo “vivo” deve ser interpretado no sentido de que a obra do nosso Professor está de atualidade, e o grupo “sem adulterar” com o significado de que tanto o seu primeiro apelido como as obras reproduzidas neste livro nom tenhem sido alteradas pola presença de elementos estranhos. É um texto límpido, nom contaminado, pois o nosso Mestre, conforme reconhecem os editores, foi um dos poucos autores que nom aceitou a repressom do léxico tradicional da literatura, pois “normativizar” implicava e implica “adulterar”, “vulgarizar”, e por este motivo estivo sujeito a muitas injúrias ou ofensas. Salientam os dous investigadores as lúcidas advertências do nosso polígrafo contra o nefasto costume de modificar os textos dos clássicos de acordo com a normativa oficialista ou lusitana integral, segundo nos tem manifestado Dom Ricardo em várias cartas reproduzidas na revista “Agália”, nº 29.

Este novo contributo é obra de dous professores doutores da UdC, Pilar García Negro e Manuel Castelao Mexuto. Intitula-se Ricardo Carvalho Calero. Obra literaria: poesía, teatro e narrativa, ediçom realizada com colaboraçom do Parlamento Galego e da Conselharia de Cultura, magnificamente cuidada pola editora Biblos, com muitas notas esclarecedoras.

Sobre o primeiro apelido, afirme-se apenas que demonstra ter pouca dignidade quem é incapaz de grafá-lo como “Carvalho”, um ideal que ele defendeu ferrenhamente nos últimos anos da sua vida. Como alicerce de que é a única forma válida, convidamos a ler o trabalho publicado polo professor doutor José Luís Rodríguez (“Cadernos de Estudos Xerais”, nº 17-janeiro 2020, págs. 50-52, da A.C. Irmáns Suárez Picallo). As esferas oficiais ou oficialistas deveriam abandonar essa teima de mencioná-lo “Carballo”.

“É um excelente trabalho reunir num volume a obra literária completa, para torná-la acesível para o povo a quem entregou a sua vida”

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Outra ofensa está na obra A gente da Barreira (1982), que reflete a vontade definitiva do autor, onde emprega um vocabulário infreqüente na oralidade, aberta já entom ao enriquecimento e incipiente harmonizaçom com a vertente portuguesa. Mais umha vez, o professor da USC José Luís Rodríguez (Veja-se, De ‘A xente da Barreira’ para ‘A gente da Berreira’, Ricardo Carvalho Calero. As formas de compromiso, 2020, USC, págs. 361-395) analisa minuciosamente as mudanças incorporadas polo autor na última ediçom e nom respeitadas.

Temos que acrescentar que é um excelente trabalho reunir num cuidadoso e elegante volume a obra literária completa, para torná-la acesível para o povo a quem entregou a sua vida, porém, teria sido conveniente que os editores comentassem brevemente cada obra, com umha introduçom de caráter literário ou a recolha de circunstáncias que explicariam os motivos polos quais Cantigas de amigo e outros poemas (1986) foi possível unicamente com a ajuda económica de galegos que admirávamos “este Grande da Galiza”, como consta na “Tabula gratulatória”.

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