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María do Carmo Henríquez Salido

Frutos da política lingüística na Galiza

Nas décadas de 1970 e 1980, quando se iniciam os processos de normalizaçom e de normativizaçom do galego, já se vislumbravam problemas graves que se intensificarám com o decorrer dos anos. Partiu-se de umha premissa errada, a da suficiência da fala atual degradada, sem previamente distinguir o que era genuinamente galego-português e o que eram híbridos, vulgarismos e castelhanismos. Nas normas ortográficas era urgente recuperar as “letras galegas” em toda a sua dimensom, como tinham projetado escritores e gramáticos dos séculos XIX e nomedamente as “Irmandades da Fala” e os integrantes de “NÓS”, mas tal nom foi feito.

Na Universidade prescindírom de postulados básicos da Lingüística Geral formulados desde o ano 1916. Ferdinand de Saussure analisou as duas forças, “la force d’intercourse et l’esprit de clocher”: (a) “as forças de comunicaçom”, da necessidade da existência de relaçons comerciais, políticas e literárias ativas em toda a área lingüísitica de umha língua comum; e (b) “as forças que criam em matéria de língua particularidades até o infinito”. Desde entom, o discurso oficialista é bem conhecido, e a língua da Galiza é diferente da de Portugal porque naquela se di “nai”, enquanto nesta, “mãe” (quando, na realidade, “mãe”, ou “mai” também é variante galega). A partir deste postulado, o número de línguas multiplicaria-se até o infinito: haveria diversas línguas espanholas (umha por cada país americano e até por cada comunidade), várias portuguesas (umha em Portugal, outra no Brasil e outras em cada País Africano de Língua Oficial Portuguesa), duas ou mais inglesas (umha na Inglaterra e outra nos Estados Unidos), etc.

Os frutos deste processo iniciado particularmente na década de 1980 e intensificado na de 1990 som evidentes: quando o galego era ainda língua social e transmitida pola família, embora com as suas dificuldades e restriçons, sementárom o castelhano, adulterárom geneticamente o galego-português até o tornar improdutivo, numha língua meramente institucional, litúrgica, e que funciona, por tempo limitado, apenas como nicho de negócio para uns poucos.

Um dos elementos que mais tem contribuído à castelhanizaçom, conforme concluiu José Ramom Pichel, da empresa de tecnologias lingüísticas “Imaxín Software”, é a escola. Nas conclusons da sua tese de doutoramenteo assinalava (a) O galego que se aprende na escola (Ensino Primário, Secundário e Bacharelato) é o fator que fai que se aproxime mais ao castelhano do que ao português; (b) Carvalho Calero tinha razom na sua hipótese sobre o galego, defendeu que ou fazemos um galego com saída internacional através do português, ou o castelhano vai esfarelar o galego.

As conseqüências podem ver-se em muitos âmbitos. Por exemplo, o galego mal adquiriu prestígio entre os estudantes de Traduçom e Interpretaçom da UVigo, e a maior parte deles tenta evitar as combinaçons de galego, porque consideram que nom há procura social da língua, apesar de na Faculdade ser patente que há qualificados e competentes professores e investigadores de excelência.

*Professora Catedrática de Univrsidade

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