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María do Carmo Henríquez

Eugenio Coseriu (1921-2002)

Nestes dias completa-se o centenário do nascimento do lingüista mais importante na Europa da segunda metade do século XX. Nasceu (27-VII-1921) em Mihăileni (Roménia). "Doutor honoris" causa por trinta universidades. Um clássico universal na Lingüística e Filologia Românica, autor de mais de quatrocentas publicaçons. Falava e conhecia doze línguas e a obra das figuras mais relevantes europeias clássicas e modernas.

Sintetizar os seus princípios seria titânico. Apenas salientaremos os seus postulados sobre a lingüística teórica, história da lingüística, sociologia da linguagem, dialetologia, a correçom idiomática e as normas lingüísticas, semântica, sintaxe, análise do discurs e pragmática, o seu combate contra o desdém existente em comunidades como a panhispánica polo uso da linguagem. Firme defensor do princípio ético intrínseco em toda atividade humana, o contrário é a barbárie. Constitui um tópico lembrar “dizer as cousas como som”, “as palavras estám polas cousas, mas nom som as cousas”; toda especulaçom deve partir do já dito polos que reflexionárom rigorosamente sobre o tema.

Estivo na Faculdade de Filologia da Universidade de Vigo em várias ocasions ministrando docência em programas de doutoramento, seminários internacionais, proferindo palestras, presidiu o “II Congreso Internacional de Gramática y Lingüística” (5-8 de julho de 1995).

Participou em Congressos Internacionais da Língua Galego-Portuguesa na Galiza (1984, 1987, 1990, 1993, 1996), onde analisou “El gallego en la historia y en la actualidad”: o principal problema do galego era um problema prático e de política cultural (“o galego unificado”) que implica que se deva “tomar partido” e significa “tomar partido”, a constituiçom de umha língua comum é também um problema político.

Asseverou que os romanistas e hispanistas estám em geral de acordo em que o galego é umha forma particular do conjunto dialetal galego-português, enquanto oposto ao conjunto dialetal espanhol. Aconselha consultar obras clássicas como as de W. von Wartburg ou de Menéndez Pidal. Sobre a história política e lingüística da Península Ibérica considera que está determinada pola Reconquista; umha das línguas que se perfilava no Norte podia chamar-se galego, por ter o seu centro na Galécia, e poderíamos falar já de umha língua galego-portuguesa. Embora exista a rutura entre o galego da nova Galiza e aquela parte do mesmo galego que se converteria em português, o galego é a base do português. Concluiu: apesar da quase inexistência de contatos efetivos durante séculos, o galego e o português pertencem na atualidade ao mesmo conjunto, por isso tem plena vigência a denominaçom “galego-português”.

Foi nomeado “Doutor honoris” causa da Universidade de Vigo (17-III-1995). O ato soleníssimo celebrou-se no paraninfo; a madrinha responsável, Professora Catedrática de “Lengua española”, redigiu a LAUDATIO em galego-português, seguindo as teses de Sarmiento, Joan Coromines, Rodrigues Lapa ou Carvalho Calero: texto, em contra do ritual estabelecido consuetudinarimente, nom foi impresso pola Universidade de Vigo. Foi publicado por Martínez del Castillo (2005, pp. 11-20) na serie collectae, Granada Lingvistica, “Eugenio Coseriu in memoriam”.

* Professora Catedrática de Universidade

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