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A palavra dogma designa o conjunto de preceitos estabelecidos na língua da Galiza, sem fundamento científico, impostos por Decreto, sem que se permitisse o necessário debate democrático, propagados por métodos coercitivos, até o extremo de que os dissidentes fôrom e ainda som discriminados. Os responsáveis estám identificados por um conhecido e reconhecido escritor: a Real Academia Galega (RAG), o Instituto da Língua Galega (ILG), o Conselho da Cultura Galega e umha editorial nascida como partido na sombra, convertida numha lucrativa empresa. Som inamomíveis, premiam-se uns aos outros, som galeguistas ou regionalistas profissionais, nom suportam ninguém que nom seja da sua “loggia”.

Todos eles constituem um “lobby”, um grupo organizado que exerce umha atividade de pressom e influência sobre os poderes públicos, e como parasitas obtenhem alimento e lucro pessoal a partir da sua pretensa defesa do galego. O mais grave deste “lobby” é que alguns dos seus integrantes denunciam a lei do silêncio do “establishment” cultural, mas aplicam a lei do silêncio aos reintegracionistas. Negam a existência dos dissidentes, eludem o debate e sustentam princípios muito questionáveis: defendem que o galego é umha língua minoritária, em vez de asseverar que é umha língua menorizada; o modelo de língua que proponhem está fortemente castelhanizado. Se se sublinharem num texto normativizado as unidades lexicais coincidentes com a língua espanhola, a identidade pode ser total (“Galicia, nación, autodeterminación”).

José Ramom Pichel, de umha empresa de tecnologias lingüísticas, estudou o galego e a sua relaçom com o português e o castelhano. Na sua tese de doutoramento conclui: a) “O galego que se aprende na escola é o fator que fai que se aproxime mais ao castelhano do que ao português”; b) “Carvalho tinha razom na sua hipótese sobre o galego, [...] defendeu que ou fazemos um galego com saída internacional através do português, ou o castelhano vai esfarelar o galego”.

Finalizamos com um fragmento do EXEMPLO XXXII, “De lo que contesció a un rey con los burladores que fizieron el paño”, da obra El Conde Lucanor de Don Juan Manuel (1282-1348). Quando chegou o dia da festa, vinhérom os que lhe dixeram que estava bem vestido, o rei ia orgulhoso por levar um magnífico traje. Como a toda a gente lhe dixeram, que as pessoas que nom vissem aquel panho que seriam desonradas, ninguém se atrevia a falar. Só um preto ousou dizer: “Dígovos que yo so çiego, o vós desnuyo ydes” (“digo-vos que eu som cego, ou vós despido ides”). Desde este momento, todos os demais perdêrom o medo a dizer a verdade e entendêrom o engano que os burladores figeram. Isto é o que acontece na Galiza, todo o mundo vê que o galego está fortemente castelhanizado, mas ninguém se atreve a dizê-lo por medo a perder prebendas, a ser discriminado, ou mesmo condenado ao ostracismo, por isso nom há debate, porque nom há liberdade.

*Professora catedrática de Universidade

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